Abel Matos Santos, psicólogo clínico, consulta de doenças do comportamento alimentar no Hospital de Santa Maria, falou da necessária abordagem psicológica no tratamento da obesidade. Até há pouco tempo, considerava-se que a obesidade era fruto de uma psicopatologia subjacente. Hoje este conceito está ultrapassado. Os efeitos psicológicos da obesidade reflectem-se de diversas formas: há uma baixa de auto-estima, quadros de depressão, dificuldades nas relações interpessoais, na vida sexual, etc.
Antes de tratar a obesidade deve determinar-se se existe alguma patologia alimentar que deva ser previamente tratada (ingesta nocturna, binge eating, ingesta emocional, etc.). Segundo o psicólogo clínico, há alguns factores fundamentais na abordagem actual do tratamento da obesidade: «Quando um doente entra no nosso consultório é fundamental perceber como é que o seu peso evoluiu até esse momento pois a abordagem será diferente consoante o padrão de peso.
Devemos recolher o máximo de informação possível e perceber como é que a pessoa se sente em relação ao seu corpo. É importante dar ao doente novas estratégias para controlo do peso, `negociando' objectivos. As perdas de peso modestas devem ser encaradas como benéficas, pois contribuem para um resultado positivo. Temos também que ter em conta que a maior parte das pessoas não se sentem motivadas: querem perder peso mas não sabem como. Temos que ser nós a tentar motivar o doente para a perda de peso. Isto pode ser feito através de uma avaliação de riscos logo na primeira consulta colocando questões como a seguinte: `o que é que pensa que lhe pode acontecer se não perder peso?' — desta forma a pessoa chega à resposta, envolve-se, toma-se parte activa e responsável no seu tratamento.»
Para concluir, o psicólogo clínico referiu considerar que a aliança mais eficaz para o tratamento da obesidade inclui o apoio psicológico, nutricional e farmacológico, sem esquecer, naturalmente a actividade física.
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